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O Que é o PLD e De Que Maneira Ele Afeta As Tarifas De Energia

PLD é a sigla para Preço de Liquidação das Diferenças. O entendimento sobre ele é essencial para quem negocia energia no mercado livre de energia ou quer compreender melhor como funciona a tarifa que paga.

Ele corresponde ao valor utilizado para a liquidação das diferenças entre os volumes de energia contratados e os efetivamente medidos nas transações do Mercado de Curto Prazo (MCP) de energia pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O que é o PLD?

Como mencionado, o PLD é utilizado para liquidar as diferenças de energia. Ou seja, para o acerto entre as diferenças do que foi contratado e o que realmente foi produzido e utilizado.

Por isso, todo mês a CCEE realiza a contabilização e, para apurar essas diferenças e liquidá-las, utiliza o PLD, que ela mesmo calcula.

Em 2020, o PLD era calculado em três patamares de carga: pesado, médio e leve. Cada um representava horários de alto, médio e baixo consumo, respectivamente.

A partir de janeiro de 2021, iniciou-se sua contabilização horária, modificando assim o nome para “PLD Horário”. Com essa alteração, há uma representação melhor do custo efetivo da energia considerando as variações de carga e fontes de geração, otimizando as indicações de preços de energia aos agentes do mercado.

O que é o PLD Horário?

O PLD Horário foi adotado em linha com a tendência mundial de maior granularidade nos preços, onde os custos são alocados com maior precisão aos responsáveis. Essa melhor representação contribui com o aumento da eficiência setorial, o que favorece a redução global dos custos.

A definição dos preços é realizada diariamente para cada hora do dia seguinte, com base no Custo Marginal de Operação. O processo também considera a aplicação dos limites máximos (horário e estrutural) e mínimos vigentes para cada período de apuração e para cada submercado. Anteriormente, o cálculo era feito em bases semanais.

Com a mudança, o preço da energia passa a ser mais próximo do seu custo efetivo de geração, uma vez que este varia ao longo do tempo conforme a disponibilidade das fontes. Por exemplo, uma usina solar pode ter um custo menor, mas opera apenas durante o dia, enquanto uma térmica a gás natural pode operar a qualquer horário. O comportamento do consumo também é considerado nessas análises.

Como o PLD é calculado?

Ele é calculado pela CCEE por meio de modelos matemáticos, com o objetivo de encontrar a solução de equilíbrio entre o benefício atual do uso da água para geração de energia nas hidrelétricas e o benefício futuro de seu armazenamento, medido em termos da economia esperada em combustíveis das usinas termelétricas.

A maior utilização da energia hidrelétrica pode proporcionar menores custos imediatos ao sistema, já que, de maneira geral, essa fonte é mais barata. Porém, se utilizada em excesso, tende a causar aumento no valor da energia no futuro, já que isso ampliaria o risco de déficit de energia.

Deste modo, utilizando os modelos computacionais DESSEM (diário), DECOMP (curto prazo) e NEWAVE (longo prazo), o PLD é calculado baseado nos seguintes aspectos:

  • estado atual dos reservatórios das hidrelétricas;
  • previsão de chuvas;
  • demanda de energia;
  • projeção de variabilidade da geração intermitente (eólica e solar);
  • preço de combustíveis das usinas térmicas;
  • entrada em operação de novos projetos;
  • disponibilidade de transmissão e geração.

Como o PLD afeta as tarifas de energia?

Assim como consumidores livres e geradores, as distribuidoras têm de liquidar sobras e déficits de contratos de energia na CCEE. Portanto, caso uma empresa esteja subcontratada, terá de pagar pelos montantes necessários para o atendimento do seu mercado a valores do PLD e os custos disso serão repassados às tarifas.

Por outro lado, caso a concessionária esteja sobrecontratada, a energia desnecessária ao atendimento do seu mercado é liquidada ao PLD.

Os efeitos desses movimentos nas tarifas dependem das diferenças entre o valor do PLD no momento da liquidação e o preço da energia definido no momento da sua contratação. Se a diferença for positiva à distribuidora, o efeito será favorável aos consumidores no processo tarifário, e vice-versa.

O PLD também é utilizado no cálculo do custo associado ao risco hidrológico, ou seja, risco de os geradores hidrelétricos não conseguirem gerar toda a energia vendida. Os consumidores cativos são responsáveis pelo risco hidrológico de cerca de 70% de toda energia contratada pelas concessionárias de distribuição. Dessa forma, o PLD também pode impactar as tarifas na contabilização desses riscos.

Gostou de saber mais sobre esse assunto? Continue acompanhando os conteúdos da TR Soluções.