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componentes tusd e te pagos a distribuidora de energia pelos consumidores acl

01 de abril de 2026

Como o "gato" do Vizinho Encarece a sua Conta de Luz


Você já sentiu aquela pontada no peito ao abrir a conta de luz e ver um valor astronômico, mesmo tendo certeza de que economizou o máximo possível? A verdade pode ser mais amarga do que um erro de leitura: você está pagando pela energia que outras pessoas estão roubando.

No setor elétrico, chamamos isso de Perdas Não Técnicas (PNT), mas no dia a dia o nome é outro: o famoso "gato". E se você acha que esse é um problema apenas da distribuidora de energia, os dados da TR Soluções mostram que o impacto direto vai para o seu bolso.

O Abismo das Perdas: Entenda o “Tanque Furado” do Sistema

Para entender por que sua conta sobe, imagine um caminhão transportando combustível (Energia) por uma estrada (Fio):

  • Perdas Técnicas (PT): É o combustível que evapora naturalmente pelo calor durante a viagem. É um fenômeno físico inevitável.
  • Perdas Não Técnicas (Gato): É como se alguém furasse o tanque do caminhão e roubasse combustível no caminho.

O problema central é que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estabelece um limite de perdas que a distribuidora pode repassar para os consumidores. Quando o roubo excede esse limite, a saúde financeira da distribuidora é afetada; até o limite regulatório, você paga a conta.

As PNT são sempre comparadas com o tamanho da Baixa Tensão (BT). Esse é o indicador utilizado pela Aneel porque é justamente na baixa tensão onde os furtos geralmente acontecem. A figura a seguir mostra a evolução das PNT regulatórias, ou seja, aquelas que são repassadas às tarifas, e as PNT reais, ou seja, aquelas que de fato aconteceram, entre 2008 e 2024. Os números representam a média de todas as distribuidoras do Brasil.


Figura 1 – Evolução comparativa entre as PNT regulatórias e reais sobre o mercado de BT

Gráfico mostrando a composição detalhada da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), dividida em Transporte, Perdas, Encargos e Outros.

Fonte: relatório de Perdas de Energia da Aneel.

A Realidade em Números: O Peso do Furto no Bolso do Consumidor

A precisão técnica da TR Soluções permite identificar exatamente onde o "tanque furado" do setor elétrico é mais crítico. Enquanto a média de PNT sobre a Baixa Tensão no Brasil em 2024 é de 16,0%, algumas regiões enfrentam um cenário bem mais complexo e desafiador para o combate dessas perdas pelas distribuidoras.

Figura 2 – Comparando a PNT Real vs. Regulatória de todas as distribuidoras em 2024

Gráfico mostrando a composição detalhada da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), dividida em Transporte, Perdas, Encargos e Outros.

Fonte: relatório de Perdas de Energia da Aneel.

Para o empresário ou o gestor que foca no custo real, é possível traduzir esse percentual para o valor da conta. Se considerado um consumidor médio com gasto de 250 kWh/mês:

  • Ame (Amazonas): Com um índice de perdas de 58,3% regulatórias, a tarifa de PNT chega a R$ 0,1078 por kWh. Isso significa que o consumidor do amazonas que não furta a energia paga R$ 26,96 todo mês apenas pelo "gato" alheio — valor que aumenta consideravelmente após a incidência de impostos.
  • Light (Rio de Janeiro): Com PNT regulatórias de 39,3%, a tarifa específica do “gato” é de R$ 0,0697 por kWh. Ao final do mês, são R$ 17,43 a mais na conta devido aos furtos.

Figura 3 – O abismo das Perdas Não Técnias: regulatória vs. real - em 2024

Gráfico mostrando a composição detalhada da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), dividida em Transporte, Perdas, Encargos e Outros.

Fonte: relatório de Perdas de Energia da Aneel.

O Efeito Cascata no Bolso do Empresário

Se você é dono de uma pequena ou média empresa (PME), o impacto é direto na competitividade. Mesmo que você migre para o Mercado Livre de Energia (onde você escolhe de quem comprar a energia — a TE, Tarifa de Energia), você ainda continuará pagando a TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição).

É na TUSD que moram as perdas. Ou seja: não há como fugir totalmente do custo do furto, mas há como gerir melhor o restante da conta. Uma gestão eficiente é possível através de:

  • Análise Regulatória: Compreender como os reajustes da sua distribuidora local são influenciados pelos índices de PNT.
  • Migração para o Mercado Livre: Ao buscar fornecedores de energia mais baratos na TE, você ganha margem para compensar o peso das perdas que incidem na TUSD.
  • Eficiência Energética: Reduzir o consumo total para diminuir a base de incidência das perdas.
  • Inteligência de Dados: Utilizar as projeções da TR Soluções para antecipar variações tarifárias que fogem do controle inflacionário comum.

Conclusão

O furto de energia é um problema social e de segurança, mas é, acima de tudo, um prejuízo parcialmente repassado a quem paga a conta em dia. Entender que o seu boleto cobre o “tanque furado” do sistema é essencial para quem busca uma gestão de energia profissional e consciente.

A TR Soluções transforma essa complexidade regulatória em dados mensuráveis. Continue acompanhando nossos conteúdos para tomar as melhores decisões para o seu negócio.