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Privatização: mais investimentos, mais qualidade dos serviços

Como a Enel GO desta vez é o centro das atenções, consolidamos alguns indicadores que explicam a evolução da qualidade e da sustentabilidade econômico-financeira da concessão

Cláudia Almeida

De tempos em tempos, ressurge o debate sobre os benefícios ou não dos processos de privatização de companhias estatais. As razões desses debates são as mais diversas, mas os argumentos nem sempre são fundamentados em dados concretos.

Como a Enel GO desta vez é o centro das atenções, consolidamos alguns indicadores que explicam a evolução da qualidade e da sustentabilidade econômico-financeira da concessão. O estudo também analisou dados combinados de 32 distribuidoras de energia que atendem a 98% do mercado nacional. As análises foram feitas por meio do Indicadores-D, nova aplicação da TR Soluções usada para integrar, calcular e prover informações em tempo real para análises dos indicadores das distribuidoras perante diferentes cenários econômico-financeiros.

A nossa principal conclusão é que os investimentos realizados após a privatização da Enel GO, concomitante a uma redução significativa dos custos e evolução positiva do indicador de qualidade do serviço, refletem uma nova tendência de retorno positivo aos consumidores e viabilidade econômico-financeira aos acionistas.

Condições gerais do segmento de distribuição – No que diz respeito ao estoque de ativos em Infraestrutura na atividade de distribuição, é possível observar, na Figura 1, uma trajetória de recuperação acentuada do fluxo de investimentos a partir de 2016.

Estique de Ativos

Fonte: TR Soluções

Figura 1 – Estoque de investimentos em infraestrutura de distribuição de energia

Essa recuperação pode ser associada à privatização de concessionárias de distribuição no período, que estimularam investimentos de capital privado nas empresas. De 2015 a 2018, o volume anual passou de R$ 25,5 bilhões para R$ 66 bilhões, enquanto o investimento de capital público teve evolução muito inferior na mesma base de comparação – de R$ 12 bilhões para R$ 15,8, como mostram as tabelas a seguir:

Tabela 1. Evolução de investimentos de capital privado no setor de distribuição

Capital Privado

Fonte: TR Soluções

Tabela 2. Evolução de investimentos de capital público no setor de distribuição

Capital Público

Fonte: TR Soluções

Nota do Autor: Os valores apresentados na Tabela 1 e Tabela 2 dizem respeito ao saldo devedor anual dos empréstimos e financiamentos, de origem privada e pública, ou seja, saldo dos investimentos no setor de distribuição.

Qualidade dos serviços – A qualidade do serviço prestado e o volume de investimentos realizados em infraestrutura estão diretamente relacionados. Essa é uma constatação intuitiva, mas que pode ser comprovada numericamente ao se confrontar os medições históricas desses parâmetros. Utilizando o Indicador de Desempenho Global de Continuidade (DGC) como proxy para a medição da qualidade do serviço prestado, observa-se que, quando o investimento anual diminui, no período de 2013 a 2015, como mostrado na Figura 1, a qualidade também cai (Figura 2). Por outro lado, há uma recuperação a partir de 2016.

Desempenho Global

Fonte: TR Soluções

Figura 2 – Evolução do Desempenho Global de Continuidade (DGC) Brasil

Nota: valores de DGC abaixo de 100% indicam que o desempenho global observado é melhor do que as metas de qualidade estabelecidas pelo regulador; ou seja, quanto menor o DGC, melhor é a qualidade dos serviços prestados pela empresa.

Caso da Enel GO – A concessão da antiga Celg-D foi adquirida pelo Grupo Enel em 2017 e, de lá para cá, registrou uma evolução expressiva nos seus investimentos. Como mostra a Figura 3, as demonstrações financeiras da companhia indicam que os investimentos realizados nos anos de 2013 e 2016 ficaram abaixo da depreciação de ativos registrada nesse mesmo período, quando a empresa ainda estava sob o controle estatal. Por outro lado, a proporção aumentou de maneira expressiva a partir de 2017.

Investimento

Fonte: TR Soluções

Figura 3 – Evolução da reposição dos ativos depreciados da Enel GO

Assim como no setor elétrico como um todo, essa retomada dos investimentos tem contribuído para a melhora das condições dos serviços da concessionária, revertendo a tendência verificada até 2015, como mostra a Figura 4.

Desempenho Global

Fonte: TR Soluções

Figura 4 – Evolução do Desempenho Global de Continuidade (DGC) da Celg-D e ENEL GO

Nota: quanto menor o DGC, melhor é a qualidade dos serviços prestados pela empresa.

Os dados parciais disponibilizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no Painel de Desempenho das Distribuidoras de Energia Elétrica relativos à quantidade e duração das interrupções no fornecimento de energia mostram que a evolução positiva da qualidade dos serviços permanece neste ano, como apresentado na Figura 5.

Evolução da Qualidade

Fonte: Aneel

Figura 5 – Evolução da qualidade DEC/FEC mensal da Celg-D e ENEL GO

A análise também avaliou as condições de depreciação dos ativos da concessionária: em 2017, a depreciação acumulada dos ativos da Celg-D estava em 58%. Com os investimentos realizados e planejados entre 2017 e 2019, a Enel GO passou a registrar um patamar de depreciação acumulada dos ativos de 46%.

Além disso, vale observar que a falta de investimentos em infraestrutura no período estatal está relacionada com os prejuízos anuais recorrentes da companhia. Como a empresa também encontrava-se inadimplente com suas obrigações setoriais, a título de penalização por parte da Aneel, teve suas tarifas congeladas entre 2007 e 2012. Esse congelamento somado aos seus altos custos operacionais culminou em um impacto negativo relevante no patrimônio líquido no período pré-privatização, como mostra a Figura 6.

Patrimônio Líquido

Fonte: TR Soluções

Figura 7 – Evolução do PMSO Contábil frente ao PMSO Eficiente

Portanto, a análise dos indicadores da distribuidora consolida de forma inquestionável a diferença de performance observada sob as diferentes gestões da companhia, assegurando maior assertividade na avaliação do mercado e comprovando de forma evolutiva uma maior rentabilidade e equilíbrio econômico-financeiro da concessão. O fato é que os investimentos realizados após a privatização, a redução significativa dos custos e a evolução positiva do indicador de qualidade do serviço refletem uma nova tendência de retorno positivo aos consumidores e viabilidade econômico-financeira aos acionistas da Enel GO.

Claudia Almeida é diretora de Planejamento e Controle da TR Soluções.

Privatização: mais investimentos, mais qualidade dos serviços

Como a Enel GO desta vez é o centro das atenções, consolidamos alguns indicadores que explicam a evolução da qualidade e da sustentabilidade econômico-financeira da concessão

Cláudia Almeida

De tempos em tempos, ressurge o debate sobre os benefícios ou não dos processos de privatização de companhias estatais. As razões desses debates são as mais diversas, mas os argumentos nem sempre são fundamentados em dados concretos.

Como a Enel GO desta vez é o centro das atenções, consolidamos alguns indicadores que explicam a evolução da qualidade e da sustentabilidade econômico-financeira da concessão. O estudo também analisou dados combinados de 32 distribuidoras de energia que atendem a 98% do mercado nacional. As análises foram feitas por meio do Indicadores-D, nova aplicação da TR Soluções usada para integrar, calcular e prover informações em tempo real para análises dos indicadores das distribuidoras perante diferentes cenários econômico-financeiros.

A nossa principal conclusão é que os investimentos realizados após a privatização da Enel GO, concomitante a uma redução significativa dos custos e evolução positiva do indicador de qualidade do serviço, refletem uma nova tendência de retorno positivo aos consumidores e viabilidade econômico-financeira aos acionistas.

Condições gerais do segmento de distribuição – No que diz respeito ao estoque de ativos em Infraestrutura na atividade de distribuição, é possível observar, na Figura 1, uma trajetória de recuperação acentuada do fluxo de investimentos a partir de 2016.

Estoque de Ativos

Fonte: TR Soluções

Figura 1 – Estoque de investimentos em infraestrutura de distribuição de energia

Essa recuperação pode ser associada à privatização de concessionárias de distribuição no período, que estimularam investimentos de capital privado nas empresas. De 2015 a 2018, o volume anual passou de R$ 25,5 bilhões para R$ 66 bilhões, enquanto o investimento de capital público teve evolução muito inferior na mesma base de comparação – de R$ 12 bilhões para R$ 15,8, como mostram as tabelas a seguir:

Tabela 1. Evolução de investimentos de capital privado no setor de distribuição

Capital Privado

Fonte: TR Soluções

Tabela 2. Evolução de investimentos de capital público no setor de distribuição

Capital Público

Fonte: TR Soluções

Nota do Autor: Os valores apresentados na Tabela 1 e Tabela 2 dizem respeito ao saldo devedor anual dos empréstimos e financiamentos, de origem privada e pública, ou seja, saldo dos investimentos no setor de distribuição.

Qualidade dos serviços – A qualidade do serviço prestado e o volume de investimentos realizados em infraestrutura estão diretamente relacionados. Essa é uma constatação intuitiva, mas que pode ser comprovada numericamente ao se confrontar os medições históricas desses parâmetros. Utilizando o Indicador de Desempenho Global de Continuidade (DGC) como proxy para a medição da qualidade do serviço prestado, observa-se que, quando o investimento anual diminui, no período de 2013 a 2015, como mostrado na Figura 1, a qualidade também cai (Figura 2). Por outro lado, há uma recuperação a partir de 2016.

Desempenho Global

Fonte: TR Soluções

Figura 2 – Evolução do Desempenho Global de Continuidade (DGC) Brasil

Nota: valores de DGC abaixo de 100% indicam que o desempenho global observado é melhor do que as metas de qualidade estabelecidas pelo regulador; ou seja, quanto menor o DGC, melhor é a qualidade dos serviços prestados pela empresa.

Caso da Enel GO – A concessão da antiga Celg-D foi adquirida pelo Grupo Enel em 2017 e, de lá para cá, registrou uma evolução expressiva nos seus investimentos. Como mostra a Figura 3, as demonstrações financeiras da companhia indicam que os investimentos realizados nos anos de 2013 e 2016 ficaram abaixo da depreciação de ativos registrada nesse mesmo período, quando a empresa ainda estava sob o controle estatal. Por outro lado, a proporção aumentou de maneira expressiva a partir de 2017.

Depreciação

Fonte: TR Soluções

Figura 3 – Evolução da reposição dos ativos depreciados da Enel GO

Assim como no setor elétrico como um todo, essa retomada dos investimentos tem contribuído para a melhora das condições dos serviços da concessionária, revertendo a tendência verificada até 2015, como mostra a Figura 4.

Desempenho Global

Fonte: TR Soluções

Figura 4 – Evolução do Desempenho Global de Continuidade (DGC) da Celg-D e ENEL GO

Nota: quanto menor o DGC, melhor é a qualidade dos serviços prestados pela empresa.

Os dados parciais disponibilizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no Painel de Desempenho das Distribuidoras de Energia Elétrica relativos à quantidade e duração das interrupções no fornecimento de energia mostram que a evolução positiva da qualidade dos serviços permanece neste ano, como apresentado na Figura 5.

Evolução da Qualidade

Fonte: Aneel

Figura 5 – Evolução da qualidade DEC/FEC mensal da Celg-D e ENEL GO

A análise também avaliou as condições de depreciação dos ativos da concessionária: em 2017, a depreciação acumulada dos ativos da Celg-D estava em 58%. Com os investimentos realizados e planejados entre 2017 e 2019, a Enel GO passou a registrar um patamar de depreciação acumulada dos ativos de 46%.

Além disso, vale observar que a falta de investimentos em infraestrutura no período estatal está relacionada com os prejuízos anuais recorrentes da companhia. Como a empresa também encontrava-se inadimplente com suas obrigações setoriais, a título de penalização por parte da Aneel, teve suas tarifas congeladas entre 2007 e 2012. Esse congelamento somado aos seus altos custos operacionais culminou em um impacto negativo relevante no patrimônio líquido no período pré-privatização, como mostra a Figura 6.

Patrimônio Líquido

Fonte: TR Soluções

Figura 7 – Evolução do PMSO Contábil frente ao PMSO Eficiente

Portanto, a análise dos indicadores da distribuidora consolida de forma inquestionável a diferença de performance observada sob as diferentes gestões da companhia, assegurando maior assertividade na avaliação do mercado e comprovando de forma evolutiva uma maior rentabilidade e equilíbrio econômico-financeiro da concessão. O fato é que os investimentos realizados após a privatização, a redução significativa dos custos e a evolução positiva do indicador de qualidade do serviço refletem uma nova tendência de retorno positivo aos consumidores e viabilidade econômico-financeira aos acionistas da Enel GO.

Claudia Almeida é diretora de Planejamento e Controle da TR Soluções.